Damiana Bregalda apresenta exposição inédita sobre corpo, território e crise ecológica, em Florianópolis
A exposição individual “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos”, da artista Damiana Bregalda, está em cartaz no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC), no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis. Com curadoria de Juliana Crispe, a mostra tem entrada gratuita e pode ser visitada até 29 de novembro, de terça-feira a domingo, das 10h às 21h.
O trabalho parte de uma questão central: como habitar a Terra sem ocupá-la sob a lógica da posse, do domínio e da extração. Segundo a artista, o título reúne os dois eixos de sua pesquisa — a pele e o corpo, de um lado, e a terra, de outro, entendida não como recurso, mas como território vivo, marcado por memórias, conflitos e relações. Damiana explica que a ideia de “pouso” remete a suspensão, desaceleração e atenção, enquanto o “risco” envolve tanto a vulnerabilidade quanto a possibilidade de deslocar certezas sobre as formas de habitar o planeta.
A mostra reúne 16 obras em diferentes linguagens: quatro instalações, uma série de quatro monotipias, quatro videoperformances, duas publicações de artista, uma série de seis fotoperformances, duas fotografias e dois trabalhos sonoros. O conjunto resulta de mais de dez anos de pesquisa artística e antropológica, com trabalhos iniciados em 2013 e produções recentes. Embora parte das obras já tenha sido exibida em outras mostras, a exposição é inédita no título e na configuração. É também a primeira individual da artista no MIS/SC.
Obras realizadas em Santa Catarina
Entre os trabalhos de longa duração está “Diário de pousos”, iniciado em 2013 e apresentado ao público pela primeira vez. No projeto, a artista recolhe folhas e flores no instante em que se desprendem das árvores e registra o local e o horário de cada queda, transformando esses acontecimentos em uma investigação sobre tempo, deslocamento e relação.
A série “Ara Maí: semear em terras devastadas” (2026) foi desenvolvida durante o pós-doutorado da artista no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), entre 2024 e 2026, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A série e as monotipias foram produzidas em três paisagens catarinenses: uma pedreira e uma área de monocultura de pinus em Florianópolis e uma mina de carvão em Criciúma.
Nas videoperformances “É preciso correr o risco – na pele” e “É preciso correr o risco – na terra”, a relação entre corpo, território e disputa também está presente. Na segunda, a artista percorre uma área de monocultura de soja em Paraí, no Rio Grande do Sul, onde semeia o Avaxi Para’í, variedade de milho cultivada pelos Guarani, em contraponto à lógica do cultivo único.
Perspectiva decolonial
A exposição trata de temas como crise climática, devastação ambiental, monocultura, exploração de territórios e os efeitos da colonialidade sobre os corpos e a terra, em diálogo com saberes de povos originários e quilombolas. A partir de sua posição como mulher branca, a artista questiona as heranças coloniais presentes em sua própria história.
A curadora Juliana Crispe afirma que a mostra propõe pensar a crise ecológica sob uma perspectiva decolonial, em diálogo com a obra “Uma ecologia decolonial”, de Malcom Ferdinand. Segundo ela, a devastação ambiental não pode ser separada da história do colonialismo, da escravidão, do racismo e dos modelos de exploração que transformaram a natureza em propriedade e mercadoria. Artista e curadora explicam que o gesto de semear, presente em diferentes obras, aparece como possibilidade poética e política — não como promessa de recuperar uma natureza intocada, mas como forma de imaginar outros modos de habitar.
Para Damiana, expor no MIS/SC tem significado especial pelo caráter público e gratuito do espaço, que ela espera ver funcionar como lugar de encontro, pausa e reflexão. A artista afirma desejar que o público deixe a mostra levando consigo perguntas sobre a forma como habitamos a Terra.
A exposição foi viabilizada pela Lei nº 15.503, de 29 de junho de 2011.
Sobre a artista
Damiana Bregalda é artista, antropóloga e pesquisadora. É pós-doutora em Artes Visuais pela Udesc, doutora em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), mestre em Antropologia Social e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Sua produção articula arte, antropologia e ecologia e investiga modos de estar no mundo a partir de diferentes perspectivas humanas e da relação entre humanos e não humanos.
Serviço
O quê: Exposição “Da pele à terra: percursos de pousos e riscos”, de Damiana Bregalda
Quando: até 29 de novembro de 2026
Horários: terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Onde: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS/SC) – Centro Integrado de Cultura (CIC), Av. Governador Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis
Curadoria: Juliana Crispe
Entrada: gratuita
Classificação indicativa: Verifique a Classificação Indicativa.
Via Assessoria de Comunicação FCC
Imagem: Divulgação/Cássio Aranovich

